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“Atlas, Rise!”, do Metallica

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Fan-art baseada na música Atlas, Rise! Fonte: Pinterest.com

Na segunda faixa de Hardwired… to Self-Destruct (2016), décimo álbum de estúdio do Metallica, a banda norte-americana recorreu à mitologia, território muito explorado pelo heavy metal. A música “Atlas, Rise!” faz referência à mitologia grega, seguindo uma tradição do metal que remonta à épica “Achilles Last Stand” (1976), do Led Zepellin. Sem contar as inúmeras referências à mitologia nórdica e às criações literárias de J.R.R. Tolkien, presentes no trabalho de bandas como Iron Maiden, Manowar e Tuatha de Danann, não é novidade que as histórias gregas de heróis e grandes batalhas tenham sempre alimentado o gosto do metal pelo gênero épico.

Mas “Atlas, Rise!” traz um diferencial. A banda optou por fazer um som que não girasse em torno de um personagem heroico, como Aquiles ou Odisseu. Ao invés disso, escolheu a imagem familiar de Atlas carregando o mundo sobre os ombros. Marcada por um acorde mais trágico, a música toca em um detalhe importante: o fardo de Atlas é, na verdade, um castigo. Isso fica evidente nos seguintes versos:

Bitterness and burden
Curses rest on thee
Solitaire and sorrow
All eternity

Amargura e fardo
Maldições repousam sobre ti
Solidão e sofrimento
Por toda a eternidade

How does it feel on your own?
Bound by the world all alone
Crushed under heavy skies
Atlas, rise!

Como te sentes por conta própria?
Ligado ao mundo, sozinho
Esmagado sob céus pesados
Atlas, levanta-te!

Na mitologia, Atlas pertence à geração arcaica, a dos seres monstruosos, que antecede a geração dos deuses olímpicos. É filho de Jápeto e da oceânide Clímene (ou de Ásia), e irmão de Menécio, Prometeu e Epimeteu. Em outra versão da lenda, Atlas é filho de Urano e, portanto, irmão de Cronos. Ele participou da luta entre os deuses e os gigantes, e recebeu de Zeus a punição de carregar em seus ombros, por toda a eternidade, a abóbada celeste — não apenas o mundo, como a música deixa claro. Não passou despercebido que o seu sofrimento será eterno, cheio de rancores que esmagam suas costas.