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Asas de Ícaro, feitas com o mais puro aço da Pensilvânia

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Preston Packard (Samuel L. Jackson) voando alto em direção à Ilha da Caveira.

“E lembrem-se da história de Ícaro, cujo pai lhe deu asas de cera… e advertiu-lhe que não voasse muito perto do Sol. Mas o entusiasmo era grande demais. Então ele voou cada vez mais alto, até o Sol derreter suas asas… e ele caiu no mar. Mas o exército dos Estados Unidos não é um pai irresponsável. Ele nos deu asas para lutar, feitas de aço quente fundido na Pensilvânia”. Estas são as palavras do tenente Preston Packard enquanto a sua esquadra de helicópteros atravessa uma tempestade elétrica. Típico solilóquio de Samuel L. Jackson, à prova de tudo e acima do Bem e do Mal. Em Kong: A Ilha da Caveira (2017), Packard comanda um destacamento das forças armadas norte-americanas, recém-retiradas do Vietnã em 1973, com a missão de escoltar um grupo de cientistas a uma ilha desconhecida, lar do poderoso Kong.

No intuito de levantar a moral dos seus homens, Packard narra uma história das mais conhecidas da mitologia grega, a fábula de Ícaro. O personagem principal desta história é filho de Dédalo com uma escrava de Minos, lendário soberano da ilha de Creta. Encarcerados no labirinto pelo rei, Ícaro e o pai puderam escapar graças aos pares de asas fabricadas por Dédalo. O artífice colou as asas com cera, prendendo-as deste modo aos seus ombros e aos do filho. Em seguida, ambos levantaram voo. Antes de partir, Dédalo recomenda a Ícaro que não voe nem muito baixo nem muito alto, advertindo-lhe que fique longe do Sol. Ícaro, entretanto, orgulhoso e entusiasmado de poder voar, ignora o conselho do pai e eleva-se cada vez mais nos ares, aproximando-se tanto do Sol que a cera derrete, as asas se desmancham e ele cai no mar. Os antigos explicavam a fábula das asas de Ícaro, relacionando-a à invenção da vela das embarcações. Segundo algumas versões, Dédalo e Ícaro fugiram de Creta em um barco. Certamente teriam mais sorte em um helicóptero de carga Chinook CH-47.