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De olhos bem abertos: um novo alienígena, um velho mito

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Combinação de fantasia, western e road movie, Han Solo: Uma História Star Wars (2018) segue os passos do icônico contrabandista do espaço vivido por Harrison Ford na trilogia original (1977, 1980, 1983), anos antes dele conhecer o fazendeiro Luke Skywalker e o velho jedi Obi-Wan Kenobi. Dessa vez foi Alden Ehrenreich quem deu vida à sua versão mais nova, com direito aos trejeitos de canastrão que viraram marca registrada do carismático personagem.

Em uma cena que nos remete à cantina de Mos Eisley, momento antológico do primeiro Star Wars, Solo aposta tudo o que tem (e o que não tem) em um jogo de cartas chamado sabacc, diante dos olhos curiosos de vários alienígenas — e dos vários olhos de um deles, em especial. Seu nome é Argus “Seis Olhos” Panox, ele é um Azumel do sexo masculino e um exemplar bastante descolado da sua espécie.

Embora tenha ficado popularmente conhecido na galáxia pela fisiologia peculiar, o primeiro nome do alienígena vem de um personagem da mitologia grega, o célebre Argo (mais conhecido pela forma latinizada do nome, Argos). Alguns dizem que Argo possuía um só olho, enquanto outros sugerem que teria quatro, um par para ver de frente e o outro para olhar para trás. Outras versões atribuíam-lhe uma infinidade de olhos espalhados por todo o corpo.

As manchas de sangue da Operação Cérbero

Punisher+cerberus

No quinto episódio da série Justiceiro, da Netflix (The Punisher, S01E05 – Gunner, 2017), Frank Castle conversa com seu aliado David Lieberman, perigoso hacker e ex-analista da Agência de Segurança Nacional (National Security Agency, NSA). Ninguém além de Castle sabe que Lieberman está vivo. Perseguido pelo governo, ele teve de forjar a própria morte para salvar o pescoço e garantir a segurança de sua família. A vida do hacker entrou em turbilhão depois que ele, operando sob o codinome “Micro”, vazou informações confidenciais das forças armadas. Mais que confidenciais, profundamente comprometedoras: prova dos crimes de guerra cometidos durante a guerra no Afeganistão. A série tem como pano de fundo esse capítulo manchado de sangue da infame Guerra ao Terror, mais especificamente os eventos que sucederam a queda do governo do Talibã e o surgimento de diversas organizações terroristas. Estas células desafiaram o governo montado pela coalizão, levando os Estados Unidos a uma das guerras mais longas e desgastantes de sua história.

As informações expostas por Lieberman revelaram as verdadeiras intenções da chamada Operação Cérbero, uma operação militar secreta com o suposto objetivo de rastrear e eliminar terroristas. As missões do Esquadrão Cérbero, estacionado em Kandahar, envolviam a captura, o interrogatório e a execução de alvos valiosos. Contudo, as atividades da tropa de elite não eram apenas imorais; eram também ilegais, pois não haviam sido sancionadas pelo Congresso. Os membros do Esquadrão, com as mãos sujas de sangue, não tinham conhecimento disso, muito menos de que toda a operação servia de fachada para um esquema de contrabando de heroína (dentro dos corpos de soldados mortos). “A operação em Kandahar era chamada de Cérbero. Cão do inferno, cão de guarda de muitas cabeças do submundo.” Lieberman explica a Castle. “Cérbero vem de Kérberos, do grego. Que significa manchado. Então Hades, o senhor dos mortos, literalmente chamou seu cão de manchado”. Mas Castle não se interessa por mitologia, e pergunta se o parceiro já terminou de falar.

Na mitologia grega, Cérbero é um dos monstros que guardavam o reino dos mortos. O cão de três cabeças com cauda de serpente é a imagem mais comum desse monstro, embora ele seja descrito em outras versões com cinquenta ou até mesmo cem cabeças. Diz-se que ficava acorrentado diante da porta do inferno e aterrorizava as almas no momento em que lá entravam. Até aí Lieberman está certo, o problema está na suposta etimologia do nome Cérbero. J. P. Mallory e D. Q. Adams (2006, p. 439) relacionam o grego Kérberos, o cão do Hades, ao sânscrito Sarvarā, termo usado para designar um dos cães de Yama, deus da morte e do submundo, sugerindo que ambos se tratam de nomes cognatos derivados de uma mesma palavra protoindo-europeia que significava “manchado”. Esta explicação, que provavelmente embasou a fala de Lieberman, foi contestada por diversos autores. D. Ogden (2013, p. 74) rejeita uma outra hipótese, segundo a qual o nome é derivativo de creoboros, “devorador de carne”. A etimologia de Cérbero permanece obscura. Mas, considerando o papel desse monstro na mitologia, vemos que o seu nome cabe perfeitamente a uma operação militar ficcional da famigerada Guerra ao Terror. Frank Castle e seus colegas, todos descartáveis, eram cães de guarda dos falcões da guerra. Múltiplas cabeças do esquadrão secreto, os combatentes estiveram a todo tempo acorrentados ao mundo dos mortos: em combate, derramando sangue em Kandahar; e de volta à América, com o traumático fardo que trouxeram consigo.

 

Fontes:

Ogden, Daniel. Dragons, Serpents, and Slayers in the Classical and early Christian Worlds: A sourcebook. Oxford University Press, 2013.

Mallory, J. P.; Adams, D. Q. The Oxford Introduction to Proto-Indo-European and the Proto-Indo-European World. Oxford, GBR: Oxford University Press, 2006.

A Forma da Água, ou como não deixa-la escapar

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Indicado a 13 Oscars, A Forma da Água (The Shape of Water, 2017) é um conto de fadas moderno. Ambientado no auge da Guerra Fria, nos anos 60 ainda com jeito de anos 50, conta a história de Elisa (Sally Hawkins), faxineira de um laboratório que sente forte atração pela criatura encarcerada em uma sala de segurança máxima. Ela é muda, enquanto a criatura (Doug Jones) tem uma linguagem própria, de modo que precisam se comunicar através de sinais. A conexão entre os dois vai aumentando dia após dia, até que eventualmente se apaixonam.

Conforme explica o diretor Guillermo del Toro, o mito da união entre mulher e criatura é muito antigo e pode ser encontrado em várias culturas. “Seja Zeus assumindo outras formas na mitologia grega, ou qualquer deus que modifica seus traços na mitologia asiática, todo país tem essa história”. A diferença entre o filme e os mitos é que, dessa vez, é a mulher quem toma as rédeas, subjugando a convenção narrativa da criatura do sexo masculino que persegue a presa feminina (apenas para provar, no final, que possui bondade humana). “No meu filme, é a mulher quem seduz a criatura”, explica del Toro em entrevista ao The Straits Times de Singapura. “Estou tentando mostrar que o amor é fluido, como a água, e toma a forma de tudo o que precisar”.

O verdadeiro monstro do filme é Strickland (Michael Shannon). Personificação do privilégio branco dos Estados Unidos daquele tempo, o egocêntrico agente do governo é um vilão aos moldes dos típicos heróis de filme de ação dos anos dourados, aqueles que encontram a grandeza ao matar o monstro. Fica bem claro que os personagens do filme foram inspirados nos heróis e vilões de clássicos do horror, como King Kong (Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, 1933) e O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, Jack Arnold, 1954), em estilo Alice no País das Maravilhas. Essa relação “não é acidental”, afirma del Toro.

Uma referência direta à mitologia é feita por Giles (Richard Jenkins), vizinho de Elisa. Diante de uma vitrine com tortas suculentas, na lanchonete do bairro, ele diz à jovem: “Tântalo nunca conseguia escapar da morte. A fruta nos arbustos sempre esteve fora do alcance. A água no riacho sempre recuou quando ele tentava beber. É por isso que dizemos coisas como look at those tantalizing pies”. A tradução para esta frase seria “olhe para essas tortas tentadoras”, embora o adjetivo em português perca muito do seu sentindo.

De acordo com o The Concise Oxford Dictionary of English Etymology (2003) e com o A New Dictionary of Eponyms (2002), o adjetivo tantalizing vem do verbo to tantalize, aquilo que atormenta por ser extremamente tentador e não poder ser alcançado. Suas origens estão no latim Tantalus e no grego Tantalos. Tântalo é um personagem da mitologia grega, filho de Zeus e rei da Frígia. O que fez dele célebre na mitologia foi o castigo que sofreu nos Infernos, cuja descrição aparece na Odisseia. Os autores não estavam de acordo quanto ao castigo, mas o seu motivo teria sido o orgulho. Contava-se de Tântalo que os deuses o convidaram para seus banquetes. Orgulhoso com essa distinção, ele teria revelado aos homens os segredos divinos de que tomara conhecimento nessas ocasiões. Seu suplício seria a fome e a sede eternas: mergulhado na água até o pescoço, não podia beber, porque o líquido fugia sempre que tentava mergulhar nele a boca; um ramo carregado de frutos pendia sobre a sua cabeça, mas, se levantava o braço, o ramo erguia-se bruscamente fugindo de seu alcance.

Nos Estados Unidos dos anos 60, Tântalo torna-se metáfora social importante e permite analogias com os principais personagens do filme, como Elisa, Giles, Strickland, Zelda (Octavia Spencer) e a própria criatura. Quais analogias você identifica?

Leia mais:

The Shape Of Water is a woman-monster myth, says director Guillermo del Toro

Stream the Movies That Influenced ‘The Shape of Water’

Por Trás d’O Sacrifício do Cervo Sagrado

Atualizado em: 12 de fevereiro de 2018

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Considerado pelo portal VICE a tragédia mais significativa de 2017, O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer) é a quinta produção cinematográfica do grego Yorgos Lanthimos (Dente Canino, O Lagosta). A sua fonte de inspiração é Ifigênia em Áulis (408 a.C.), do poeta grego Eurípides. Embora não se trate de uma releitura literal, veremos que o filme traz ecos da tradição clássica, em uma trama densa e claustrofóbica que expõe, graficamente, o coração do horror corporal e revitaliza o poder dos mitos para o público moderno.

Dr. Steven Murphy (Colin Farrell) é um cirurgião cardíaco responsável pela morte de um paciente na mesa de operação. Anos mais tarde ele é visitado por Martin (Barry Keoghan), filho adolescente do homem morto, com o qual faz amizade. Até que o rapaz revela sua verdadeira intenção, punir o médico em nome do que entende por justiça. A regra é simples: Steven deve escolher entre matar sua filha (Raffey Cassidy), filho (Sunny Suljic) ou esposa (Nicole Kidman); do contrário, um a um eles perderão a habilidade de andar, deixarão de comer e começarão a sangrar pelos olhos – necessariamente nesta ordem –, morrendo logo em seguida. Assim, Martin tenta equilibrar a balança. A misteriosa doença é o aspecto mais sombrio do filme, no qual Steven parece tornar-se vítima da cólera de deuses vingativos.

Não por acaso, essa é a essência de Ifigênia em Áulis, o mito que inspirou o filme de Lanthimos e lhe deu nomeSegundo a lenda, Agamémnon provocara a cólera de Ártemis, a deusa da caça, que alterou o regime dos ventos, deixando a armada aqueia presa na ilha de Áulis, incapaz de seguir rumo a Tróia. Ao consultar o adivinho Calcas, Agamémnon descobriu que a cólera da deusa só poderia ser aplacada se consentisse em lhe sacrificar sua filha Ifigênia que, na altura, morava com a mãe em Micenas. Primeiro o pai recusou, mas, pressionado pela opinião geral e sobretudo por Menelau e Ulisses, teve de ceder. Ordenou então a vinda da filha, sob o pretexto de casá-la com Aquiles, e ordenou o seu sacrifício no altar de Ártemis. Porém, a deusa apiedou-se da jovem e colocou em seu lugar, como vítima, uma corça.

Leia mais: Decoding ‘The Killing of a Sacred Deer,’ the Craziest Tragedy of 2017

Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes

Vinicius

Em 1954, Vinicius de Moraes escreveu a peça teatral “Orfeu da Conceição”, baseada no drama da mitologia grega Orfeu e Eurídice. A peça chamou a atenção de Victor Hugo Adler em seus estudos sobre o Estado Novo e a cultura daquele período. Embora a peça seja do início dos anos 50, Adler começou a perceber que ela trazia uma proposta muito afinada com o que seria o ideário da cultura brasileira no Estado Novo. “No tempo de Getúlio se teorizou muito sobre cultura. Alguns intelectuais estiveram empenhados em discutir que rumos dar à cultura brasileira (…) A proposta oficial do que seria uma cultura brasileira seria aquela que tomasse a cultura popular e a transformasse em algo que fosse (…) afinado com a civilização ocidental”, explica Adler. Nesse momento teve início uma série de referências, as quais Vinicius conseguiu ultrapassar durante a sua carreira.

Conforme o próprio Vinicius contava, comenta José Miguel Wisnik, ele leu o mito de Orfeu em Niterói, junto ao Morro do Cavalão, onde havia uma escola de samba ensaiando. As duas coisas se misturaram e ele sentiu que o mito grego podia se passar na favela e no samba. Assim ele teve o primeiro insight do que viria a ser “Orfeu”. Demorou mais de uma década para Vinicius realizar esse projeto. Ele foi amadurecendo a ideia e quando escreveu a peça precisava de alguém que a musicasse, então chegou ao nome do Tom Jobim. A partir da sua visão do que seria a autêntica cultura brasileira, Vinicius propõe que ela suba o morro. Propõe observar a cultura a partir do morro. Um movimento espontâneo da cultura que finalmente começa a se abrir para a contribuição dos negros, hoje tão óbvia, mas que não era óbvia há 50 anos, quando a cultura negra ainda não era valorizada.

O mito de Orfeu é um dos mais obscuros e carregados de simbolismo que a mitologia grega conhece. A mais célebre narrativa protagonizada por esse personagem é o da descida aos Infernos por amor à sua esposa, Eurídice. Certo dia, quando ela passeava na margem de uma ribeira da Trácia, foi perseguida por Aristeu, que pretendia violenta-la. Na fuga, pisou em uma serpente escondida na erva, que a mordeu causando-lhe a morte. Orfeu, inconsolável, desceu aos Infernos a fim de procura-la. Com a sua lira, encanta os monstros e os deuses que lá habitam. Hades e Perséfone consentem em devolver Eurídice ao esposo, tamanha a prova de amor. Mas impõem uma condição: Orfeu deve deixar o reino das trevas, seguido da mulher, sem olhar para trás. Ele aceita os termos e segue seu caminho. Estava quase vendo a luz do dia quando uma terrível dúvida lhe perturbou: teria ele sido enganado? Logo se volta para trás, vendo Eurídice desaparecer e morrer pela segunda vez. Tenta voltar aos Infernos para a procurar, mas Caronte agora está inflexível e lhe recusa a entrada no mundo inferior. É então obrigado a voltar ao mundo dos humanos, desconsolado.

Veja o documentário “Vinicius – O Olhar do Lirismo” no site da TV Escola: https://tvescola.mec.gov.br/tve/video/vinicius-o-olhar-do-lirismo

A História da Produção do Filme Hércules – Parte 4 (Final)

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Hércules enfrenta a poderosa Hidra.

Trabalhando com a talentosa equipe da Disney estava o renomado artista Gerald Scarfe, criador do filme avant-garde Pink Floyd The Wall.

Gerald Scarfe (Consultor de Design): Sou chamado de Consultor de Design, e Ron e John, os dois diretores, pareciam querer o meu ponto de vista no filme, a forma como desenhei os personagens, e eles pareciam querer infundir isso no filme o máximo possível.

A influência de Scarfe como consultor artístico ajuda Hércules a se destacar dos demais filmes da Disney.

Andrea Deja (Desenhista Animador de Hércules): O estilo de Scarfe exigia leveza, simplicidade e uma variedade de detalhes.

Ellen Woodbury (Desenhista Animadora de Pegasus): Marcou a decolagem do que havíamos feito anteriormente, em termos de estilo.

Andrea Deja: Nota-se isto mais do que nos filmes atuais, realmente avança e mostra um mundo diferente, uma visão totalmente diferente.

Sempre na vanguarda tecnológica, os animadores da Disney combinam técnicas tradicionais de animação com os avançados recursos de geração de imagens por computador. O mago da computação Roger Gould explica como estas visões criativas se complementam.

Roger Gould (Supervisor CGI): Nos últimos 10 anos, os computadores têm sido usados cada vez mais nos filmes para fazer o que antes não era possível. A Hidra é um enorme monstro mitológico que regenera a cabeça quando ela é cortada e vai se tornando mais horrível e feroz. Antigamente, se fariam 3, 6 ou 9 cabeças. Nós fizemos 30.

Alice Dewey (Produtora): A Hidra é um desafio particularmente perfeito para o computador, pois não precisamos desenhar 30 cabeças. Basta duplica-las. Foi um desafio e tanto organizar tudo e anima-las para que não parecessem uma duplicação.

Embora a Hidra fosse o maior desafio, a equipe de computação gráfica da Disney procurava novas formas de levar as plateias a novas alturas.

Roger Gould: Tínhamos o Olimpo, que não é só uma cidade construída nas nuvens, mas é uma cidade feita de nuvens. Os diretores queriam uma forma de mostrar isso. Usando o Morph pudemos usar poucos quadros, como duas ou três pinturas, e fazer o computador criar a animação entre eles. Então, pudemos de repente ter um berço surgindo das nuvens.

Cerca de 700 artistas, animadores e técnicos trabalharam nesta produção.

Alice Dewey: Abraçamos a arte com vontade e não nos levamos muito a sério.

Então como se faz um grande clássico de animação que leva mais de 3 anos para ser produzido? Com diversão!

A História da Produção do Filme Hércules – Parte 3

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Musker, Clements e a equipe de criação trabalharam os personagens e as cenas em animadas sessões de storyboards. Assim que a história fica pronta os atores colocam suas vozes dando uma nova dimensão aos personagens. O elenco olímpico inclui os talentos de Tate Donovan como o lendário Hércules; Dani DeVito como Phil, o treinador meio-homem, meio-bode; Susan Egan, como Meg, acerta o coração do herói; James Woods, como o esquentado Hades, senhor do mundo das trevas.

James Woods (voz de Hades): Todos sabem que está funcionando se todos estiverem rindo. Se não estiverem rindo vamos pensar em algo melhor.

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Hades (James Woods)

Os trapalhões e atrapalhados personagens Pânico e Agonia recebem um tratamento hilário de Bobcat Goldthwait e Matt Frewer. Lip Torn faz o poderoso e amoroso Zeus. Paul Schiffer empresta a sua personalidade ao mensageiro Hermes. E a narração de Charlton Heston ajuda a preparar o palco para a comédia.

Narração de Charlton Heston (dublada): Há muito tempo, na longínqua Grécia Antiga, houve uma época de ouro de deuses poderosos e heróis extraordinários. E o maior e mais forte de todos esses heróis foi o poderoso Hércules. Mas como se avalia um verdadeiro herói? Bem… É isso que a nossa história… (interrompido pelas Musas)

Com as vozes prontas começa o trabalho dos desenhistas.

Nik Ranieri (Desenhista Animador de Hades): Há uma voz e um desenho, eu quero que combinem bem. James Woods foi muito engraçado, ele transmitia emoção, ficava pulando. Quando eu voltei para o estúdio, o desenho ficou parecido com ele.

Brian Ferguson e James Lopez (Desenhistas Animadores de Pânico e Agonia): Tentamos criar um personagem que definisse a emoção que vinha do seu nome. Podia-se ver isto em seus olhos, e construímos o resto a partir desta emoção em especial.

Conhecido por vilões inesquecíveis como Scar, de O Rei Leão, e Jafar, de Aladdin, o veterano desenhista da Disney Andrea Deja aceitou o desafio de ser o artista por trás do grande herói do filme, Hércules.

Andrea Deja (Desenhista Animador de Hércules): Perguntei: “Como é um herói?”, pensei em alguns dos personagens heroicos do passado e que poderia usar meu lápis e anmá-lo. A voz de Tate Donovan me inspirou muito, porque ele é um ótimo ator, muito expressivo e há uma energia e uma certa ingenuidade em Hércules que descobrimos com o tempo.